A EVOLUÇÃO DAS PRÓTESES MAMÁRIAS

13/10/2021 09:55

Em 1895, o Dr.Czerny relatou o primeiro reconstrução de mama. Nessa situação um linfoma do tronco foi transplantado para a mama de uma paciente após uma mastectomia parcial. Durante os próximos 50 anos, os cirurgiões tentaram implantar vários materiais na mama, como marfim, vidro, bolas, borracha, cartilagem, lã , guta-percha, chips de polietileno e esponjas, mas sem sucesso.[1][2].

Fonte: https://allthatsinteresting.com/weird-history-of-breast-implants?utm_campaign=twitterpdtyc&utm_source=twitter&utm_medium=social

Em 2010, a Cirurgia de implantes mamários é a cirurgia mais popular dos Estados Unidos, sendo 318 mil cirurgias realizadas, dentre 62% usaram próteses mamárias de silicone. Desde de 1962, nos estados unidos foram criados aproximadamente 240 tipos diferentes de próteses por 10 fabricantes diferentes e com cerca de 8300 modelos de tamanhos, formatos, espessuras, texturas, dentre outros aspectos diferentes[3].

Primeira Geração de próteses de silicone

          Nos anos 60 começaram testes com membranas a partir de silicone e em 1962, Cronin e Gerow relataram o uso do primeiro implante mamário de silicone gel. Este era composto de um gel de silicone viscoso contido dentro de uma espessa membrana de silicone. Esses dispositivos protéticos de dois componentes projetados com uma membrana de elastômero de silicone preenchida com um material de enchimento estável, consistindo de solução salina ou gel de silicone. As próteses até então eram feitas por um invólucro de elastômero de Silicone com uma espessura maior, superfície lisa e preenchida com gel de silicone. As rupturas eram raras, no entanto complicações por encapsulamento da prótese eram comuns, por questões inflamatórias ou movimentação da prótese[1][2].

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Segunda geração de próteses de silicone

Em meados da década de 1970 surgiu a segunda geração de próteses mamárias com membranas mais finas e preenchimento menos viscoso. O principal objetivo dessas próteses era assemelhar-se mais a realidade, mas também reduzir as contraturas capsulares. Infelizmente, não apenas as taxas de contratura capsular permaneceram inalteradas, como esses dispositivos frágeis estavam mais sujeitos à ruptura[1].

Fonte: https://www.drglicksman.com/breast-surgery/evolution-implants/

Terceira geração de próteses mamárias

A década de 80, viu avanços significativos na tecnologia de silicone. Membranas mais fortes reduziram a quantidade de óleo de silicone que “vazava” para os tecidos adjacentes, em caso de ruptura. O conteúdo do gel tornou-se mais viscoso e coeso.

Fonte: http://plennacirurgiaplastica.com.br/tipos-de-implantes-mamarios-protese-de-mama/

Ainda na década de 80, as membranas de superfície texturizada tornaram-se disponíveis. Pareceu-se que isso reduzia as taxas de contratura capsular.  Nesse contexto o revestimento de poliuretano de implantes ganhou popularidade. A redução da contratura capsular observada com dispositivos revestidos com poliuretano foi atribuída à sua estrutura de células abertas, que permitiu o crescimento do tecido para dentro e evitou uma deposição circunferencial regular de colágeno[4].

Fonte: www.thepmfajournal.com/features/post/perspectives-on-polyurethane-covered-breast-implants

 

Também na década de 80 se popularizam as próteses com duplo lúmen, essas compostas por uma prótese de gel e em seu interior um outra prótese, essa preenchida com solução salina permitindo um ajuste final com a prótese já dentro do corpo. Apesar de prover um permitindo um aspecto mais natural, o procedimento não era possível para todo os pacientes, além de a prótese ser mais complexa para se confeccionar e possuíam mais chances de ruptura[1].

Fonte: www.24-7pressrelease.com/press-release/203222/inventor-of-first-adjustable-cosmetic-breast-implant-spectra-presents-invention-in-brazil

Devido a diversos incidentes, em 1992 com próteses da Dow Corning, a FDA manda retirar todos os implantes preenchidos com gel de silicone do mercado para estudos mais aprofundados do produto. Vários países europeus seguem o exemplo[1].

A retirada das próteses preenchidas com gel, do mercado, permitiu que as próteses preenchidas com solução salina dominassem o mercado, até 2006 quando a FDA retira a restrição e a implementação da quarta e quinta geração de próteses no mercado[5].

Quarta e quinta geração de próteses mamámarias

A publicidade adversa observada na década de 1990 resultou em padrões de fabricação mais rígidos. Os implantes atuais da quarta e quinta gerações são essencialmente dispositivos refinados de terceira geração. Essas próteses incluem produtos de gel coesivo com maior reticulação. O gel resultante é muito mais rígido e mantém sua forma mesmo quando cortado, portanto, capaz de controlar a propagação do conteúdo do gel em caso de ruptura da membrana. No entanto, são necessárias incisões mamárias maiores para acomodar esses implantes menos flexíveis. Em um esforço para reduzir o vazamento de gel de dispositivos preenchidos com silicone, grupos fenil ou trifluoropropil são ligados à membrana para diminuir a permeabilidade da membrana ao gel de silicone. Estas membranas de baixo vazamento com revestimento de barreira são características dos implantes atuais de terceira, quarta e quinta geração.

Fonte: https://www.clarin.com/salud/implantes-mamarios_0_SJHiQnjPXg.html

Sexta, sétima e oitava geração

Essa geração é voltada para próteses subgrandular, ou seja por cima do musculo. Esse tipo de prótese possuem um gel mais macio e adaptável, o que resulta em um aspecto mais natural ao ficar de pé e deitado, com movimento e maciez mais parecidos com o tecido mamário natural.  O gel é mais macio possibilita a inserção da prótese por meio de uma incisão menor. Além disso, a superfície nano-texturizada da prótese, tem uma textura mais fina em comparação com as próteses mamárias convencionais.

Fonte:  www.breastaugmentation101.com/breast-implant-singapore-philippines-asian-countries/

Em um estudo com essa nova geração, os envolvidos afirmaram que 84,6% experimentaram menos complicações gerais e 76,9% confirmaram taxas reduzidas de contratura capsular com esses dispositivos. No geral, 84,6% dos especialistas preferiram selecionar implantes da nova geração aos anteriores para obter uma aparência mais natural. Além disso, 92,3% dos especialistas concordaram que a prótese, devido ao sua tecnologia inovadora, reduz o risco de linfoma anaplásico de células grandes[6].

Outra diferença é que até então as próteses de silicone disponíveis eram preenchidos com aproximadamente 85% da sua capacidade e, portanto, estavam sujeitos a leves “ondulações” (ou “enrugamento”), com dobras do implante visíveis através da pele. Isso ocorreria principalmente em mulheres com perfil atlético, muito magras ou em casos de reconstrução mamária em que o implante era colocado na parte superior do músculo – também conhecida como posição “pré-peitoral”. A ondulação sempre foi mais severa em implantes salinos, pois eles fluem como água, em oposição ao silicone, que é um gel mais viscoso[7].

Fonte: www.drkarenhorton.com/dr-hortons-blog/7th-generation-breast-implants-softer-safer/

A sétima geração trás uma prótese, também com preenchimento de 96%de sua cavidade, mas com um gel ainda mais coeso. Mas diferentemente do que era chamados os “gummybears implants” com gel altamente coeso, que produziam grandes cicatrizes e tinham um perfil mais rígido, essa nova geração é possui as mesmas propriedades estruturais, porém muito mais macia e permite cicatrizes menores[7].

A oitava geração apresenta as mesmas características da sétima e sexta geração, porém possui um perfil mais macio.

Sobre o Autor

Lucas Kurth de Azambuja é Mestre e Engenheiro de Materiais, formado pela UFSC, especializado na área de polímeros. Também realizou intercâmbio para França na École Nationale d’ingénieurs de Saint-Étienne e estagiou na École de Mines de Saint Étinne. Desde 2017, Lucas é bolsista no Laboratório de Engenharia Biomecânica, onde realizou seu trabalho de conclusão de curso focado no estudo de degradação de implantes mamários. Posteriormente realizou sua dissertação, também no laboratório, focado na análise de insertos acetabulares após uso em in vivo. Hoje é resposável pela execução das análises poliméricas do laboratório, além de colaborar no projeto do Centro Nacional de Explante.

Lucas possuí dois trabalhos publicados sobre o estudo de próteses mamárias

  • de Mello Gindri, Izabelle, et al. “Evaluation of invitro degradation of commercially available breast implants.” Polymer Testing 79 (2019): 106033
  • de Mello Gindri, Izabelle, et al. “Influence of Breast Implant Surface Finishing on Physicochemical and Mechanical Properties before and after Extreme Degradation Studies.” International journal of biomaterials 2021 (2021).

Referências

[1]     V. Vinci et al., “The evolution of breast prostheses,” Breast J., vol. 26, no. 9, pp. 1801–1804, Sep. 2020, doi: 10.1111/TBJ.13954.

[2]     E. Kelly, “The Surprisingly Weird History Of Breast Implants,” Ati, 2016. https://allthatsinteresting.com/weird-history-of-breast-implants (accessed Oct. 11, 2021).

[3]     I. Pitanguy, N. Amorim, A. Ferreira, and R. Berger, “Análise das trocas de implantes mamários nos últimos cinco anos na Clínica Ivo Pitanguy,” Rev. Bras. Cir. Plástica, vol. 25, no. 4, pp. 668–674, 1AD.

[4]     N. Castel, T. Soon-Sutton, P. Deptula, A. Flaherty, and D. Parsa, “Polyurethane-Coated Breast Implants Revisited: A 30-Year Follow-Up,” 2015, doi: 10.5999/aps.2015.42.2.186.

[5]     C. for D. and R. Health, “Breast Implants – Regulatory History of Breast Implants in the U.S.,” Accessed: Jan. 15, 2018. [Online]. Available: https://www.fda.gov/MedicalDevices/ProductsandMedicalProcedures/ImplantsandProsthetics/BreastImplants/ucm064461.htm.

[6]     M. Sforza et al., “Expert Consensus on the Use of a New Bioengineered, Cell-Friendly, Smooth Surface Breast Implant,” Aesthetic Surg. J., vol. 39, pp. S95–S102, Apr. 2019, doi: 10.1093/ASJ/SJZ054.

[7]     “7th generation breast implants: softer, safer, less ripply!” https://www.drkarenhorton.com/dr-hortons-blog/7th-generation-breast-implants-softer-safer/ (accessed Oct. 13, 2021).