“COMO” E “DO QUE” SÃO FEITAS AS PRÓTESES MAMÁRIAS.

05/10/2021 14:43

A prótese de silicone é formada por uma membrana de silicone reticulado e preenchido com gel de silicone.

O silicone

O silicone ou polidimetilsiloxano é um polímero cuja cadeia principal é formada por moléculas de silício e oxigênio com grupamentos radicas metílicos.

Na temperatura ambiente o silicone é considerado um polímero líquido, pois seu ponto de fusão, ou seja, ponto o qual o material passa da fase sólida para a fase líquida, é de -40°C. Para se obter esse polímero em um estado sólido na temperatura ambiente, opta-se por uma técnica de reticulação, essa técnica cria “nós de ancoragem” conferindo ao material uma estrutura tridimensional.

As primeiras gerações de próteses eram preenchidas com silicone líquido, porém, quando havia um vazamento na membrana, o líquido escoava muito facilmente para fora da prótese. Sendo assim, as gerações seguintes passaram a ser preenchidas com silicone gel, que tem mais dificuldade de escoamento em caso de ruptura.

 

Desde 1962, vários implantes foram desenvolvidos por diferentes fabricantes, totalizando cerca de 8000 tipos diferentes entre tamanhos, formas, texturas e modos de preenchimento.

Tamanhos

Hoje no mercado é possível encontrar próteses de silicone de 150ml até 600ml.

Formas

Formas, as próteses tem diversas formas para melhor se encaixam com cada estrutura de corpo. A forma da prótese vai depender do molde que a membrana foi confeccionada.

As próteses podem ter forma de gota, cônica, arredondada, podem possuir perfil baixo ou moderado.

Textura

Inicialmente as próteses eram todas lisas, porém essas tinham maiores chances de gerar contraturas capsulares ou de se movimentarem. As próteses texturizadas aumentam a área de adesão com o tecido, assim impedindo a movimentação. Ainda, mais recentemente voltaram a ser produzidas as próteses de silicone recobertas com espuma de poliuretano.

Preenchimento

Na maioria dos casos, nas próteses mais modernas, essas são preenchidos com gel de silicone.

Apesar disso, outras próteses podem ter duplo lúmen, uma cavidade preenchida com gel de silicone e uma cavidade mais externa preenchida com solução salina. Esse tipo de prótese pode ser ajustado na cirurgia, para melhor se ajustar ao corpo e não ficar presa a medidas fixas como na de preenchimento apenas com gel.

Como são produzidas essas próteses?

Inicialmente é necessário um molde, esse é imerso em silicone líquido. Após a imersão o molde é levado a um forno o qual ocorre a reticulação. Esse ciclo ocorre para quantas  camadas que se pretende obter. Após finalizada essa etapa, a membrana está constituída no molde, essa então é removida e preenchida com gel silicone. Após preenchimento, a região de abertura é selada com uma membrana chamada de “patch”. Após a produção essa prótese ainda irá passar por diversos processos de qualidade, aos quais abordaremos em outra postagem.

Para próteses texturizadas o processo é um pouco diferente, segue o mesmo processo de imersão em gel de silicone, reticulação e preenchimento, porém dentre as camadas da membrana de silicone, o molde é mergulhado em areia (quartzo), reticulado e o areia removida em seguida. O espaço antes ocupados pela areia irá formar uma textura no implante.

Referências

[1]         I. Pitanguy, N. Amorim, A. Ferreira, and R. Berger, “Análise das trocas de implantes mamários nos últimos cinco anos na Clínica Ivo Pitanguy,” Rev. Bras. Cir. Plástica, vol. 25, no. 4, pp. 668–674, 1AD, Accessed: Apr. 02, 2018. [Online]. Available: http://www.rbcp.org.br/details/763/analise-das-trocas-de-implantes-mamarios-nos-ultimos-cinco-anos-na-clinica-ivo-pitanguy.

[2]         S. Barr and A. Bayat, “Breast Implant Surface Development: Perspectives on Development and Manufacture,” Aesthetic Surg. J., vol. 31, no. 1, pp. 56–67, Jan. 2011, doi: 10.1177/1090820X10390921.

[3]        M. Grigg, S. Bondurant, V. L. Ernster, and R. Herdman, “Information for Women about the Safety of Silicone Breast Implants,” 2000. Accessed: Aug. 28, 2019. [Online]. Available: http://www.nap.edu/catalog/9618.html.

Sobre o Autor.

M.e. Eng. Lucas Kurth de Azambuja

Lucas Kurth de Azambuja é Mestre e Engenheiro de Materiais, formado pela UFSC, especializado na área de polímeros. Também realizou intercâmbio para França na École Nationale d’ingénieurs de Saint-Étienne e estagiou na École de Mines de Saint Étinne. Desde 2017, Lucas é bolsista no Laboratório de Engenharia Biomecânica, onde realizou seu trabalho de conclusão de curso focado no estudo de degradação de implantes mamários. Posteriormente realizou sua dissertação, também no laboratório, focado na análise de insertos acetabulares após uso em in vivo. Hoje é resposável pela execução das análises poliméricas do laboratório, além de colaborar no projeto do Centro Nacional de Explante.

Lucas possuí dois trabalhos publicados sobre o estudo de próteses mamárias

  • de Mello Gindri, Izabelle, et al. “Evaluation of invitro degradation of commercially available breast implants.” Polymer Testing 79 (2019): 106033
  • de Mello Gindri, Izabelle, et al. “Influence of Breast Implant Surface Finishing on Physicochemical and Mechanical Properties before and after Extreme Degradation Studies.” International journal of biomaterials 2021 (2021).